domingo, 30 de novembro de 2014

Capitulo II: A primeira impressão.

Loucos e Indesejáveis

Capitulo II: A primeira impressão.


Era uma manhã comum como todas as outras. Uma manhã de terça-feira. Seunome gostaria de ter acordado de uma forma corriqueira, mas sua maneira não foi a melhor de todas. Acordou ao ouvir seu celular tocar e em um disparo acabou pegando-o e tacando pela janela.
- Droga mais um. - Seunome murmurou após realmente acordar.
Sentiu o gosto que se passava em sua boca, era gosto de sono e iogurte. Por que tomou aquele iogurte antes de dormir?
Se levantou e andou descalça até seu banheiro, no caminho sentiu algo cutucar seu pé seguido de uma dor latejante, mínima, mas incomoda. Ao passar a mão nele sentiu algo pontudo e puxou. Era um dos caquinhos do espelho que ela havia quebrado “acidentalmente”. Um pouco de sangue saiu do corte, nada com que tivesse que se preocupar.
Ela se despiu e após isso se arrepiou ao sentir o vento frio da manhã entrar pela sua janela.
Entrou na banheira e tomou um banho rápido. Após se arrumar, sem ter o auxílio do espelho, já que fora proibida, ela desceu as escadas.
No caminho até a cozinha viu seu antigo piano tampado por um pano, aquele piano lhe trazia más lembranças.
Ao chegar a cozinha notou como os empregados estavam agitados, porém apenas pegou sua tigela e colou seu cereal e leite, ignorando todo o café recém-preparado para ela, ela odiava comer coisas requentadas.
Após isso se sentou e os viu andar para lá e para cá com bandejas e produtos de limpeza.
- Sarah, o que esta acontecendo? - Seunome perguntou com a boca cheia.
- Você não me escuta mesmo, né criatura?! Seu irmão Darwin tá voltando da Inglaterra. - Sarah respondeu, impaciente.
- Ah. - Seunome disse sem emoção.
Por um tempo observou Sarah, ela era uma mulher magra. Sua pele era branca e tinha olhos castanhos. Não era muito alta e nem muito nova. Mantinha sempre no rosto uma expressão de seriedade.
- Aliás, seu psicólogo ligou. Hoje é dia de seção e é para você ir na delegacia também. - Sarah disse tirando Seunome de seus devaneios.
- Ok, parece que eu vou ver o delegado, DE NOVO! - Seunome respondeu sínica.
- Se controle desta vez, não pode mas ir para a prisão, lembra? - Sarah disse repreendendo Seunome.
-Para deixar claro, da última vez não foi culpa minha. - Seunome disse com um sorriso irônico.
- Não, claro que não. Aquele álcool e os fósforos saíram andando do supermercado sozinhos porque estavam cansados de ficar nas prateleiras e depois resolveram que seu bolso era um lugar divertido para se ficar. - Sarah disse com o mesmo sorriso que ela.
- É obvio que foi isso, por que eu roubaria álcool e fósforos? - Seunome disse tentando parecer curiosa.
- Não sei, me diga você sua delinquente juvenil. - Sarah disse e então saiu da cozinha.
Seunome revirou os olhos e terminou de comer seu cereal. Notara que naquela manhã havia falado muito mais do que estava acostumada, mas isso quase sempre acontecia quando ela falava com Sarah. Era divertido desafiá-la.
Após isso se levantou e chamou Charlie para que pudesse partir. Charlie era seu chofer, mas ela odiava que fizessem coisas por ela então resolveu que iriam de metrô.
- Esta pensando que vai aonde sozi... - Sarah começou a dizer mas se alto-interrompeu e depois disse – Ah, esta levando Charlie. Vai de carro?
- Não. - Ela respondeu seca e se foi.
Desde que havia saído do hospício, Seunome estava proibida de sair na rua sozinha, sempre deveria levar alguém, mesmo que já fosse maior de idade.
No caminho o silêncio os acompanhou. Seunome pensava em como seria a vida dela depois daquele dia. Não porque fosse lhe acontecer algo de interessante mas sim porque ela sabia, a cada novo dia estamos sujeitos a mudanças e surpresas, em um único dia sua vida pode mudar por inteiro.
Ao chegar na delegacia, Seunome sorriu. Só havia mais uma pessoa no mundo que ela gostava de desafiar e esta pessoa estava dentro da delegacia. Ao passar pela porta pode ouvir uma discussão vindo mais de dentro.
- Delegado, eu já disse, eu não fiz nada de errado. - Seunome ouviu uma voz masculina dizer.
Ela se posicionou atrás dá porta para que pudesse escutar a discussão e fez um sinal para que Charlie ficasse calado.
- Não, não. Apenas estacionou em local proibido. DE NOVO! - delegado Harris disse irônico.
- Ah, pelo amor de Deus, eu só estacionei em local proibido. Me de uma multa, mas não tire meu carro nem não me prenda. - o autor da voz masculina respondeu, estressado.
- Não vou, se você pagar sua fiança, é claro. Esta já é a décima multa que recebe e ainda não pagou nenhuma.
- E quanto tenho que pagar?
- 2 mil dólares.
- 2 o que?
- É isso ou cadeia, ou se preferir serviço, comunitário. Junto com os delinquentes juvenis.
- Delinquentes juvenis como eu senhor delegado? - Seunome disse agora, saindo de trás da porta e interrompendo a discussão.
- Estava ouvindo a conversa Senhorita Allen? - o delegado Harris disse arqueando a sobrancelha.
- Não responda minha pergunta com outra pergunta. - Seunome retrucou enquanto mexia nos pertences de um dos oficiais.
- Esta bem Senhorita Allen, mas pare de mexer na mesa do oficial Carter.
- Como quiser amor. - Seunome disse irônica e mandou um beijo e uma piscadinha ao delegado.
- Pare com isso vadia, sou casado. Ele disse levantando sua mão e mostrando sua aliança.
- Ei, eu ainda estou aqui. O rapaz que até então estava calado disse com uma cara confusa.
- Eu sei, por que não foi embora ainda? - Delegado Harris perguntou.
- Porque ainda não resolvemos isso.
Então delgado Harris e o rapaz desconhecido por Seunome começaram novamente uma discussão, a qual ela já sabia o resultado. Enquanto discutiam, Seunome observava o garoto. Como ele desafiava o oficial da lei aparentemente sem medo mas ela podia sentir, ele estava com medo.
Seunome possuía um tipo de sexto sentido, sempre sabia quando as pessoas estavam ou não com medo, por este mesmo motivo ficava extremamente irritada quando não admitiam ter medo dela. Era sempre assim, ou as pessoas teriam medo dela e não admitiriam ou usariam esse medo e a tratariam como lixo.
A certa altura ela estava cansada daquela discussão, se levantou e foi até eles e então disse:
- Rapazes, acho que já chega por hoje. Escuta moço - Ela chamou o rapaz desconhecido e continuou - Vá ao banco saque o dinheiro ou faça serviço comunitário, não é tão ruim assim. - Seunome fez uma pausa olhou para o delegado Harris, então disse - E você não tem que discutir com ele. É delegado.
- Ela tem razão, decida-se Senhor Hutcherson. Delegado Harris disse.
- Tá bem, eu vou pagar essa droga. Mas espere eu ir no banco.
- Vá logo.
Assim o rapaz saiu e ficaram Seunome, o delegado Harris, Charlie e o oficial Carter. Seunome esperou calada enquanto o delegado mexia em uma das gavetas de sua mesa. Ela começara a ficar sem paciência a essa altura. Ah, como ela queria um bolo, ou quem sabe seu namorado.
- Bem, aqui está. - o delegado disse lhe entregando um papel.
Ela apenas observou o papel e piscou algumas vezes em resposta.
- Isto minha cara é a carta que declara que este é seu ultimo dia de serviço comunitário.
- Esta falando sério? - Seunome disse um tanto surpresa.
- É claro que estou, parece que estou brincando?
- Com essa sua cara gorda e esse bigode branco me faz lembrar o papai Noel, então sim, sempre parece que esta brincando. - respondeu ironicamente.
- Cale a boca, sua inútil. Delegado Harris respondeu bravo e depois continuou - Bem, você só tem mais hoje e depois finalmente vou me ver livre de você.
- Considere como seu dia de sorte. - Seunome respondeu séria.
- Eu só te peço um favor...: não arrume encrenca. Não quero ver você aqui de novo.
Seunome respirou fundo, segurou-se, então caminhou para mais perto dele e lhe disse seriamente:
- Delegado Harris, depois de me conhecer a tanto tempo deveria saber que o único favor que eu faço a seres humanos como o senhor é dividir meu oxigênio.
Por um minuto o homem a sua frente ficou pálido. Seunome sorriu vitoriosa, andou até um banco que havia na delegacia e esperou que os papéis fossem assinados.
Depois de certo tempo tudo estava pronto. Seunome naquele dia teria de limpar o parque. Nada de especial. Foram seis meses, de serviço comunitário, 8 horas por dia. Todo santo dia. Hoje era o último deles, mas Seunome não se sentia feliz ou animada por isso, aquilo não fazia a mínima diferença na sua vida. Já havia limpado muitos parques, pichações. Havia ido a creches, servido sopa, ido a igrejas e asilos. Mas nada daquilo a afetava, nem de forma boa ou ruim.
Seunome laçou um último olhar gélido ao delegado Harris e caminhou até o carro da polícia, onde o oficial Carter a levaria para seu destino.
Chegando lá avistou uma mulher vestida com o uniforme da polícia, e um cara excêntrico algemado ao lado dela. Quando se cumprimentaram a mulher soltou o homem excêntrico.
- Ruivinha cuide do lado norte do parque e você, maluco, cuide do lado sul. - a mulher uniformizada disse sem hesitação.
Seunome apenas pegou seu equipamento de limpeza e foi-se. Seu equipamento era composto por um colete, um saco de plástico e um tipo de bastão com um ferro afiado na ponta, usado para espetar o lixo. Ela não sabia o nome daquilo.
Por horas ela simplesmente ficou a limpar calada, e começou a sentir uma fome imensa a certo ponto, mas teria que limpar aquele parque primeiro. De repente ouviu uma voz masculina dizer:
- Você conhece o delegado Harris?
Quando se virou era o homem excêntrico. Seunome apenas acenou com a cabeça como resposta.
- Ele é bonito, não?! - o mesmo homem comento.
- Acho que sim, depende muito do gosto. - respondeu estranhando a pergunta.
- Está dizendo que ele não é bonito?
- Claro que não, ele é o cara mais delícia que eu já conheci. - Seunome disse sarcástica.
- Não fala assim do meu homem. - o excêntrico retrucou.
- Seu homem? Uau, boa sorte para você então, “querida”, pois ele já é casado.
- NÃO É, NÃO! - O homem a sua frente gritou e então deu um tapa no rosto de Seunome.
Agora ela havia entendido, provavelmente o cidadão a sua frente tinha algum problema mental, assim como ela. Mas por algum motivo sua raiva começou a lhe subir, mas era o último dia ela tinha de se acalmar.
- Ok. Ele é seu, fique com ele e volte ao trabalho. - disse, tentando se conter.
Seunome se virou e começou a andar, de repente sentiu um empurrão e caiu de cara no chão.
- Você esta com o cheiro dele, sua vadia. Andou pegando ele, não foi? - o homem disse de novo.
Seunome se virou - ainda tentando conter sua raiva -, levantou e caminhou até o homem, se preparou para dizer alguma coisa, porém foi interrompida. Sentiu uma enorme fincada no pé, o que lhe proporcionou muita dor e teve vontade de gritar, mas o homem a sua frente tampou-lhe a boca, ao olhar para o próprio pé percebera que o cara a sua frente havia espetado seu utensílio de limpeza no pé dela. O sangue escorria e ela sentia dor. A vontade de gritar foi ainda maior, mas não ousou soltar um ruído. Tudo que fez foi arrancar do seu pé o instrumento afiado e dizer:
- Já que você quer brigar meu rapaz, vamos brigar.
Após isso colocou em seu rosto um enorme sorriso, levantou o instrumento afiado em direção ao cidadão e começou a caminhar lentamente atrás dele. Este mesmo passou a gritar e em certo momento se escondeu.
Era o fim. Ela havia perdido seu controle e paciência. De alguma forma ela tentou se controlar, mas era tarde de mais para isso, tudo que ela pensava naquele momento era em ver aquela coisa enfiada no pescoço do louco.
- Onde você está? Por que está com medo de mim? Eu só quero conversar com você. - Seunome disse, procurando pelo homem em meio as poucas árvores do parque.
De repente ouviu um grito se virou e viu que alguém havia pulado em cima dela, dando-lhe alguns golpes. Seunome começara a revidar, mas em um deslize o agressor colocou suas mãos em volta do pescoço dela e começou a sufocá-la.
Ela tentou gritar.
Tentou revidar.
Mas não conseguia.
Ao contrário do que muitas pessoas dizem, ela não viu sua vida inteira passar diante dos seus olhos, só viu uma cena. Em poucos minutos sentiu que não lhe restava mais ar. Sentiu tontura, e então em um piscar de olhos tudo acabou.
~* ~* ~ *~ *~
 Flashback mode on :
Coloquei meu melhor vestido. Era a primeira vez que tocaria para minha mãe depois de muitas aulas de piano. Cinco aulas para ser mais exata, mas já havia aprendido muitas coisas.
Era um vestido rodado, com mangas curtas, dessas meio cheinhas. Era amarelo. Amarelo sempre fora minha cor favorita, me lembrava a o Sol, e este me lembrava que sempre haveria um novo dia, talvez melhor ou talvez não.
Sarah olhou para mim com um grande sorriso e disse:
- Esta linda, minha bonequinha.
- Estou mesmo?  - perguntei, um tanto preocupada.
- Se estivesse mais seria perigoso.
Sorri em resposta, e olhei para meus cabelos. Agora eram tranças, duas tranças.
- Acha que vou conseguir tocar direito? - perguntei ainda preocupada.
- Claro que vai, querida. - passou a mão em uma das minhas tranças - Você treinou muito para isso; acho que está preparada. E além disso, sua mãe veio mais cedo hoje só para lhe ouvir tocar.
- Eu sei. - respondi quase que em um sussurro.
Sarah terminou de me arrumar e saiu do quarto, me mandou esperar. Caminhei até a janela e avistei uma casa amarela, por coincidência , senti um enorme vazio ao observá-la. De quem era aquela casa?
- Queria que você estivesse aqui. - sussurrei.
Minutos depois eu não estava mais no meu quarto, onde estava? Ah sim, era a sala onde ficava o piano. Caminhei até o piano e lá estava minha mãe, sentada na poltrona ao lado do mesmo.
- Bonne journée Mlle. Eu disse a minha mãe, que apenas respondeu com um aceno, depois continuei - Hoje vou tocar uma música especial para você.
A música que tocaria para ela eu havia ouvido em um filme, “A noiva Cadáver”, aprendi a tocá-la e queria muito tocá-la para minha mãe.
Me sentei e comecei a tocar. Por um tempo até me diverti com a música, e ela me envolvia, podia senti-la. Mas depois de um tempo notei que minha mãe estava chorando.
Chorando sozinha.
Calada em seu canto.
Parei de tocar e caminhei até ela, me ajoelhei e disse:
- Mamãe, tá tudo bem?
- Sim... Volte a tocar, querida. - disse em meio as lágrimas.
- Você não quer...
- Já disse que estou bem, volte a tocar Seunome. - ela respondeu um pouco enfurecida.
Voltei ao piano, mas não consegui me concentrar novamente. Apenas fiquei sentada, esperando ela parar de chorar. De repente senti alguma coisa bater na minha cabeça.
- Eu falei para voltar a tocar. AGORA! - minha mãe disse, olhei para o chão e vi que um de seus sapatos estava lá.
Ela havia jogado o sapato em mim.
Voltei a tocar imediatamente, mas por que ela estava chorando?
Eu não sabia, mas não queria vê-la assim.
Flashback mode off.
Seunome acordou suada. Era tudo um sonho. Mas não era apenas um sonho, era uma lembrança em forma de sonho. Olhou a sua volta e notou que estava em seu quarto, mas não se lembrava de como fora parar lá.
Sentiu que seu pé estava doendo, e resolveu olhar. Lá estava ele, todo enfaixado. Então ela se lembrou da briga e tirou suas próprias conclusões sobre o resultado.
- Maldito. - Seunome sussurrou para si mesma.
Sentiu um cheiro bom caminhar até seu quarto, parecia o cheiro do bolo de biscoitos de Sarah. Ouviu seu estômago roncar, não havia comido ainda. Olhou no relógio e eram cerca de 4:27 da tarde, ela havia ficado bastante tempo inconsciente.
Se levantou com muita dificuldade da cama e caminhou para fora do quarto. Ouviu algumas vozes vindo lá de baixo e resolveu descer, mas a escada seria um desafio. Com apenas um pé  seria difícil, mas ela tinha que conseguir. Estava com fome e havia bolo na casa. Ela tinha que conseguir.
Desceu cada degrau com muita dificuldade e, ao final da descida, sentiu seu pé latejar. Caminhou até a sala de visitas, de onde vinham as vozes. Estacionou na porta e esperou que notassem sua presença, o que não demorou muito.
Na sala estavam seu psicólogo, um rapaz que ela não sabia quem era, delegado Harris e o “Maldito”. Sarah aparecera minutos depois com uma bandeja na mão.
- Finalmente acordou. - Senhor Lee - o psicólogo - disse.
Todos olharam em direção a porta. Seunome não manifestou nenhuma emoção ou reação, apenas esperou.
- Sente-se aqui, Seunome, precisamos conversar. - Sarah disse apontando-lhe uma cadeira.
Seunome caminhou até a cadeira, calada, sentou-se e esperou. Sarah lhe serviu chá e então a “reunião” começou.
- Senhorita Allen, se lembra do que aconteceu?  - O delegado interrogou-a, mantendo o tom de voz calmo.
- Sim. - Ela respondeu rapidamente.
- E o que aconteceu? - Sarah perguntou curiosa.
- Eu nasci. - Seunome respondeu sarcasticamente, embora parecesse séria.
- Fale sério criatura, isso não é nenhuma brincadeira. - Sarah falou, brava.
- Sei que não é, se fosse estaria me divertindo. - Seunome retrucou, secamente.
- Pode por favor dizer do que se lembra? - Senhor Lee perguntou, calmamente, assim como o delegado.
Seunome acenou com a cabeça e contou os fatos de maneira resumida. Depois de um tempo todos pareciam chacoalhar a cabeça e então o delegado disse:
- Está bem, desta você se livrou. Sua história bate com a desse cara - Delegado disse apontando para o desconhecido - E bate mais ou menos com a desse. Sabe, se não fosse pelo Josh, você estaria morta. Não pode mexer com quem tem transtorno de bipolaridade. - Delegado Harris completou.
- Ok. Obrigado, Josh. E... delegado; se eu não posso mexer com pessoas com transtorno de bipolaridade, por que estas pessoas tem o direito de mexer comigo? - Seunome perguntou intrigada.
Com essa pergunta o rapaz desconhecido esboçou um leve sorriso no rosto, discretamente.
- Não tem, mas ninguém se importa se elas mexem com você, querida. Bom, de qualquer jeito, ele não vai fazer queixa contra você e você não fará contra ele. - bateu uma mão contra outra, como se isso desse o fim no problema e disse: - vou embora e espero que não tenha que te ver mais, Senhorita Allen. Seu serviço acabou.
Seunome apenas ficou em silêncio. Assim, o delagado Harris e o “Maldito” partiram, sem mais nem menos. Mas o tempo todo Seunome pensava "para que estão aqui?"
- Bem, Seunome, espero que esteja satisfeita. Tem um furo enorme no pé agora. - Sarah disse, ainda brava.
- Claro que estou, adoro cicatrizes. Sinto como se tivesse estado em uma guerra. - Seunome disse se esticando para alcançar o bule de chá.
- Olha, quer saber?! Vou fazer bolo. Cavalheiros, fiquem à vontade. - Sarah disse enquanto se retirava do ambiente.
Por um tempo tomaram chá em silêncio até o senhor Lee dizer:
- Seunome, vim aqui para fazer a seção de terapia por aqui mesmo, mas antes eu gostaria de saber se posso ir no banco e voltar daqui a pouco.
- Ninguém está te segurando. - Seunome respondeu com naturalidade.
O homem acenou com a cabeça, levantou-se e se foi, Ficando assim Seunome e o desconhecido na sala. Ele parecia um garotinho assustado, Seunome gostava disso.
- Te conheço? - Seunome perguntou.
- Sou o cara da delegacia. - Ele respondeu rapidamente.
- Ah, sim. - ela disse já recordando-se do rapaz. Depois prosseguiu - Como me salvou?
- Bem, não diria "salvar", eu apenas estava por perto. Vi ele te estrangulando e tirei ele de cima de você.
- Se isso não é salvar então não sei o que é. Mas seria bom demais para sociedade se me deixa-se morrer. Eles não merecem isso, então, obrigada.
- Acho que não. Você não deve ser um fardo total para as pessoas.
- Na verdade sou, sim. Me dizem isso o tempo todo.
- Só porque dizem não quer dizer que seja verdade. - Josh rebateu, dando mais uma golada no chá, fazendo com que Seunome tivesse a famosa sensação de dejavú.
- Acho que começamos errado. Meu nome é Seunome Allen e o seu é...?
- Josh. Josh Hutcherson.
- Interessante.

Depois de tal comentário, um silêncio constrangedor voltou a aparecer no ambiente. Ela o conhecia de algum lugar. Mas de onde?

sábado, 22 de novembro de 2014

I Hate you, but I love too - Capítulo V

- Ei! Vocês aí! - gritou alguém, que parecia estar atrás da luz.
Rupert tinha as mãos sobre os olhos, que estavam apertados e fazia uma careta engraçada, como se tivesse chupado um limão.
O homem que segurava a lanterna agora a abaixara.
- Vou convocá-los a se retirar. - disse em tom educado, porém com severidade.
- Mas eu não fiz nada! - gritou Rupert - Foi ela! - disse apontando para Seunome, ainda com o tom de voz alto.
- Eu? - perguntou a garota fingindo santidade.
- Se preferirem sair a força, pois bem, será a força. - disse o segurança, fazendo uma expressão satisfeita.
- Tudo bem, eu vou. Mas isto é injustiça! - falou fingindo inocência.
Lauren estava prestes a se levantar, mas Seunome a impediu.
- Não se preocupe comigo Lori, fique aqui e aproveite para dar uns "amassos" no Timzinho ali. - Seunome riu do próprio comentário, mas os dois pareceram não gostar muito - É brincadeira! - explicou.
Seunome passou pelas pessoas da fileira em que até agora estivera sentada. Estas a olhava com reprovação, mas... Quem disse que ela se importava? Pouco ligava para a opinião que os outros tinham dela. Apesar disso ser bom, quando em excesso, pode ser um incômodo.
Rupert a olhava com atenção. Que tipo de garota ela era? perguntava-se ele.
Ela já havia passado pelas pernas das pessoas mau-humoradas, e agora olhava para o ruivo, com os braços cruzados e o cenho franzido, como se perguntasse a ele - em silêncio - pelo o que ele esperava? O garoto finalmente percebeu quando saia de sua fileira, um pouco insatisfeito e constrangido pela situação, ao contrário de Seunome, que parecia bem familiarizada.
O guarda os acompanhou até a saída, deixando-os sem saber o que fazer após isso.
Os dois agora estavam sozinhos, olhando para diferentes pontos, porém pensando na mesma coisa. Para onde iriam e o que fariam?
- Vai a algum lugar? -perguntou Rupert, normalmente.
- Porque? Vai me seguir? - perguntou em um tom misterioso e cruel.
- Acabamos de nos conhecer, porque está sendo grossa comigo? - perguntou, inocente.
- Foi você quem começou - retrucou a menina, virando as costas para Rupert, que sorriu.
- Então não vai me dizer para onde vai? - perguntou o ruivo, ainda tentando ser legal.
- Não. Porque eu não sei para onde estou indo. - falou ela dando de ombros.
Rupert sorriu, comovido.
- Nesse caso, acho que vou com você. - disse decidido a seguir Seunome.
- E quem disse que eu quero a sua companhia? - falou cruzando os braços.
- Não precisa ser grossa, só estou fazendo um favor à você não te deixando sozinha. - sorriu, da defensiva.
- Ótimo, então se quer tanto me fazer um favor, fique longe de mim. - sorriu vitoriosa, esperando que o garoto desistisse da ideia, mas este sorriu, e seguia quando esta virou, ignorando-o.
- Você tem uma maneira muito estranha de mostrar que gosta de mim. - falou com as mãos no bolço, como se fizesse certo tipo de charme.
- Talvez porque eu realmente NÃO goste de você - sorriu divertida, ficando séria repentinamente.
- Ora, você mal me conhece! - falou levantando os braços, como se estivesse ofendido ou coisa parecida.
- Conheci o suficiente, querido. Agora, se me der licença, vou à um lugar. - e disparou na frente, despistando-o.
- É... Acho melhor desistir. - Rupert falou para si mesmo - É mais fácil começar um guerra. E parece ser muito mais divertido. - olhou por um tempo para Seunome, que ainda andava rápido, em seguida suspirou e voltou para o cinema, ficando na frente desse para esperar pelas garotas.

- Mas que cara... - bufou Seunome - Qual é o problema dele?
Andou até encontrar a loja que procurava. Entrou. Andava ao lado das prateleiras, tirando as pulseiras do gancho e as olhando uma à uma. Era um costume seu, e às vezes de Ed, comprar pulseiras naquela loja. Como já citei, ela possuiu várias pulseiras, cada qual com seu significado ligado a alguma situação. Já fazia um tempo que não comprava nenhuma, por isso resolveu compra no mínimo três.
Escolheu duas, perfeitas para usar naquele dia. Trocou todas as que usava pelas duas - depois de pagá-las, é claro - e saiu da loja sorridente, exibindo-se como se fosse a ganhadora da loteria. 
Olhou o horário no celular, achando que o filme já havia acabado, mas não havia se passado nem 30 minutos desde que entrara na loja.
- Que droga.
Ouviu sua barriga fazer ruídos, gritando de fome. Sim, deixara a pipoca e toda a comida com a Laura.
- É bom que ela esteja aproveitando a comida. - falou com raiva.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Babaquices da Lau-chan *O*

Oi Laura, sua londa *----* - Lorena
Oi, Lolena, sua feiosa *-----*- Laura
É você, Laula bobona *-----* - Lorena
Pafu-pafu *------* - Laura
Puni-Puni *-----* - Lorena
PUNI-PUNI! *0*- Laura
Pakkun :3333 - Lorena
wat- laura

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

I Hate you, but I Love too - Capítulo IV

Seunome olhou furiosa para Lauren, como se quisesse comprovar que aquilo continuaria se ela não trocasse de lugar. Lauren trocaria sim de lugar com ela, se não fosse tão orgulhosa e desagradável. Era raro vencer Seunome em alguma coisa. Tão raro quanto conseguir uma oportunidade para lhe dar uma lição. Não perderia essa chance, por mais que a sofredora considerasse o castigo não uma punição, e sim uma tortura.
- Lauren... Por favor...
- Já disse que não, Seunome. Não insista se não farei pior. - ameaçou.
- Isso é completamente injusto! - replicou a garota.
- Se você parar para pensar, não é, não. - voltou a prestar atenção no filme.
- Lauren! - chamoul-lhe a atenção para si, mas esta a ignorou - Lauren!
- Sshiiiiuu!! - fez alguém.
Lauren colocou a mão sobre a boca, para que risse discretamente. Seunome pareceu ainda menos contente com aquilo.
Uma ideia passou pela cabeça de Seunome. Talvez óbvia demais para ser pensada somente àquela altura. Ela poderia se sentar em um lugar vazio qualquer. Com o apoio das costas, arrastou-se para cima, procurando por uma melhor visão do cinema. Estava lotado. Ela deveria aceitar. Aquele, definitivamente, não era seu dia.
Para aqueles que se perguntam "Porque ela, simplesmente, vai embora?", espero que essa simples responta baste para responder à pergunta: Ela queri muito assistir aquele filme. Muito mesmo. Esperou por muito tempo para que pudesse assisti-lo e, pelo jeito, muitas outras pessoas também aguardavam.
Não havia outro jeito, ou ficava ali, ou ia embora e voltava outro dia. Valeria mesmo á pena perder seu dinheiro á toa, só por causa de um garoto infantil? Perguntava-se. Não. Não valia à pena. Ela era orgulhosa demais para perder a "batalha".
O garoto não se contentava com os chutes, também conversava com as garotas ao lado e ria animadamente; porém, por diversas vezes lhe chamaram a atenção pelas conversas e risos escandalosos. É claro que aquilo deixava Seunome satisfeita, e arrumava um jeito de mostrar isso ao garoto sempre que podia.
- O que está achando do filme, Seuapelido? - perguntou Lauren.
- Huuummm... - fez sem prestar atenção na amiga.
- Não está gostando? - replicou.
- Tom, está ouvindo alguma coisa? Acho que estou ficando louca... - fingiu estar confusa.
- Eeerr... Eu devo responder á pergunta? - perguntou o garoto, mas Seunome já voltara a prestar atenção no filme.
- Incrível como você consegue ser tão infantil. - comentou Lauren, indignada.
- Ainda estou ouvindo coisas. Não é possível. Será que estou, realmente, ficando louca?
Lauren bufou.
Seunome sorriu ao ver o que provocara na amiga, mas não teve tanto tempo para aproveitar o momento, pois recebera mais uma rajada de chutes. As garotas riam da exibição infantil que fazia a elas.
- Caramba, como cabe tanta infantilidade em uma pessoa só? - perguntou alto para si mesma,
- Me pergunto a mesma coisa... - provocou.
- Silêncio! - ordenou, alguém próximo.
Um outro chute.
- Já chega - falou entre os dentes.
Apertou seu copo com refrigerante, sentindo a raiva tomar conta de si. Virou-se rapidamente, encarando o garoto nos olhos. Seus olhos mortíferos, capazes de derreter, ou até mesmo matar, de tamanha frieza contida em seu brilho. O copo foi lançado, chocando-se com o peito do ruivo, que, indignado, levantou-se do assento repentinamente e rapidamente. Mas ele não teve a oportunidade de fazer nada contra Seunome, pois fora interrompido por uma forte luz apontada para seu rosto.

I Hate you, but I Love too - Capítulo III

Seunome o olhou indignada. Sentindo-se totalmente deixada de lado, disse:
- Você não deveria me apoiar? - perguntou cruzando os braços em frente ao corpo.
- Desculpe Seuapelido, mas aquele cara ali é o Rupert! - disse maravilhado.
Seunome abriu a boca para protestar mais Felton já se virara para andar até o ruivo, o qual chamava-se Rupert. Uma raiva tomou conta de Seunome, e estava pronta para quebrar um prato em alguma parede, mas então se lembrou: esta atividade só era comum em "Diversãolândia", com seu amigo Ed.
Então simplesmente agarrou seu braço com força, puxando-o para mais perto de sua visão. Encarou suas pulseiras, arrancando todas as pulseiras com significados ruins e guardando-as na bolça, deixando apenas aquelas pacificadoras. Aquilo, por algum motivo, a tranquilizou.

As risadas histéricas das garotas se faziam cada vez mais ouvidas. Aquilo não irritava somente Seunome, mas também Lauren que, depois de certo tempo disse - mais para si do que para Seunome:
- Que bando de idiotas! São apenas dois atores que um dia fizeram sucesso em um filminho bobo. - disse muito brava.
Seunome sorriu vitoriosa, como se finalmente tivesse encontrado a prova final para comrovar a culpa do suspeito. Olhou para a amiga diretamente, ainda com seu sorriso triunfante.
- Que bom que você me disse isso. Agora não resta dúvidas de que você é louca pelo Felton. - disse, orgulhosa de sua mais nova certeza de vitória.
- O que? Claro que não! Você deve estar confundindo as coisas! - retrucava - Eu não sou "louca" pelo Tom! - mentiu.
- Lauren, 1° de abril já foi jaz tempo. - sorriu Seuapelido, apreciando o momento.
Lauren abriu a boca para protestar, mas hesitou. Não adiantava. Seunome estava pronta para qualquer justificativa. Sua única certeza era de que perdera a batalha novamente. Seunome era uma garota determinada a ganhar a batalha, iniciando ela ou não, estando perdendo ou não. Ela era competitiva e sem dúvida, quase sempre uma ganhadora.
-Ótimo, estamos quase chegando. - comentou, mudando de assunto.
Seunome fazia contagem regressiva, aguardando loucamente sua vez. A fila que antes era grande, agora diminuía aos poucos. Pessoa por pessoa ia comprando seus ingressos, dando passagem ainda maior para uma Seunome enlouquecida com o desejo de chegar a sua vez. Quando isto aconteceu, ela sentiu-se aliviada. Não precisaria mais se preocupar com as risadas ardidas das garotas.
Tom já se encontrava com as garotas novamente, mas estas não lhe dirigiam palavra alguma. Exceto Seunome, que o chamou de babaca. Lauren, ainda atormentada pelo o quê a amiga havia dito, ficou com medo de que alguma palavra errada saísse de sua boca ao falar com qualquer um dos dois, por isso não ousou abrir a boca.
Caminharam em silêncio até a sala onde o filme seria exibido. Sentaram em seus devidos lugares, preparando-se para o filme que começaria em 10 minutos. A sala enchia-se rapidamente, e Seunome começara a desejar sair de lá quando sentiu alguém chutar seu assento.
- Maldição! Como vou me concentrar com alguém chutando essa...
Lauren a olhou indignada.
- Quer alguma coisa para comer? Já estou ficando com fome. - falou tentando desviar a atenção de Lauren para outro assunto.
- Seria ótimo. - disse Tom com pressa.
- Não faço nada por você à partir de agora, Felton. - disse a garota colocando as mãos na cintura enquanto fuzilava os olhos.
Voltou sua a atenção a Lauren, que disse:
- Quero, sim. Obrigada. - sorriu sinceramente.
A garota se levantou, andando por entre as pessoas perdidas, procurando por seus lugares, até avistar a saída. Caminhou até ela, indo até um lugar bem iluminado para comprar as pipocas e os refrigerantes.
Ao comprá-los ajeitou tudo nos braços e, com certa dificuldade, caminhou até a sala de cinema. O fato de quase todos ali presentes já terem localizado seus lugares e sentado nos mesmos facilitou muito.
- Que bom, você chegou rápido - comentou Tom.
- Cale a boca, Felton. - disse ainda muito brava com o loiro.
O garoto encolhe-se no acento, sentindo medo.
- Isto é para você. Pegue. - Seunome estendeu o recipiente com pipoca e um outro com coca.
- Obrigada - agradeceu com um ar de desconfiança.
- Relaxa, não vou pedir nada em troca. - tranquilizou-a.
Lauren franziu o cenho, ainda sem acreditar.
- É uma promessa. - Seunome ergueu sua mão direita próxima da orelha e, com um ar de superioridade continuou: - Você sabe que Seunome Harrison nunca quebra suas promessas. - lembrou-a.
- Nunca. - repetiu Lauran, concordando com o que a amiga disse - Sente-se, o filme já vai começar. - avisou.
Seunome obedeceu. Logo que recostou-se na cadeira, sentiu uma grande força no encosto da cadeira que jogou a cabeça dela para frente. Indignada, olhou para Lauren. Esta tinha um olhar assustado, como se pensasse que aquele movimento agressivo e repentino viesse da amiga.
- Não fui eu! - defendeu-se - Foi alguém atrás de mim.
As duas lançaram suas cabeças para cima do assento. Não puderam acreditar no que viram. Mas que filho da...
- Você de novo?! - berrou Seunome, assustando as garotas ao lado de Rupert.
- Não precisa ficar nervosinha! - disse ele rindo com satisfação.
Seunome tornou-se a se sentar com bruscamente. Fechou os olhos com força. Sentiu uma série de chutes outra vez e olhou para Lauren, que tinha uma expressão estranha para Seunome. Ela estava... satisfeita.
- Lauren... Por favor... Troque de lugar comigo! - disse quase implorando.
- Não. - disse ela, sorrindo.
- Porque? Eu te trouxe pipoc... - parou instantaneamente - Droga. Palavras erradas. - murmurou para si mesma.
- Você prometeu. - disse ela, severa - "Promessa é promessa".
Seunome bufou, sendo preenchida por raiva e ódio. Principalmente ódio.
- Tom, querido... - mostrou seu sorriso mais sincero.
Lauren de repente encarou o garoto, fuzilando-o com os olhos. Tom olhava de Lauren para Seunome, de Seunome para Lauren, mas não demorou até que ele chegasse a uma conclusão.
- Foi mal... Não vai dar... - explicou coçando a nuca.
- Vá à merda, então! - disse raivosa.
Jogou-se com força contra o encosto da cadeira, cruzando os braços em frente ao peito para mostrar o quanto estava com raiva, como uma garotinha de 5 anos fazendo birra.
O filme iniciara, todos começavam a abaixar as vozes aos poucos, voltando-se para a enorme tela, onde as primeiras cenas começavam a aparecer. Fez-se silêncio total quando as primeiras palavras de um dos personagens fora pronunciada. Seunome agora desfizera o nó nos braços, e olhava para a tela também, dando sua inteira atenção e concentração para o filme. Rupert pareceu notar, julgando esta como sendo a oportunidade perfeita para irritar a garota.
- Mas o qu...! - sentiu um outro golpe forte.
O garoto riu satisfeito.
Seunome, contendo sua raiva e sua enorme vontade de mastigar os olhos do garoto, ergueu o braço, deixando seu dedo ofensivo à mostra para o ruivo, que apenas riu.
Rupert gostava de como a garota regia quando a provocava. Ela ficava fora de si; mas nem por isso pararia.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

I Hate you, but I Love too - Capítulo II

- Estou impressionado! Vocês chegaram na hora. Parabéns - congratulou Tom.
- Cale a boca, Felton. Se não fosse pela Lauren me infernizando eu estaria muito melhor vestida. Me sinto um trapo. - disse fechando a cara como uma criança de 5 anos fazendo birra.
- Você já é um trapo. - disse Tom, rindo. Em seguida levando um soco forte no braço direito - Ai! - gritou - É brincadeira Harrison.
- É bom que seja, sou bem mais forte que isso. - ameaçou.
- Pessoalmente, acho que você está linda, Seuapelido. Exceto pelas pulseiras. Para que tantas? - perguntou Lauren.
- Cada uma delas tem um significado. - explicou Seunome, cautelosa.
- Bom, não deve ser à toa que você está sempre usando elas. - comento Tom, um tanto curioso.
- Acredite, não é. - falou a garota, misteriosa.
- Bom, que tal entrarmos na fila? - sugeriu Lauren, andando até a serpente de pessoas.
- Vamos. - concordou o garoto, seguindo-a.
Seunome foi atrás, olhando para o seu vestido xadrez, preto e vermelho com renda. Seus olhos foram descendo até suas diversas pulseira. Todas de tipos e cores diferentes. Mas uma chamou-lhe a atenção. Uma pulseira vermelha de silicone. Nela duas mãos com o dedo do meio à mostra e a palavra "FUCK" entre elas. Havia comprado a pulseira com Ed, um dia depois de ser traída de seu ex-namorado. A pulseira era como uma mensagem para o garoto que partiu seu coração.
Quando percebeu, estava na fila, junta de Lauren e Tom, que conversavam alegremente sobre o filme que assistiriam. Seunome sentiu seu estômago embrulhar ao lembrar do ex-namorado, e sentiu nojo.
- Lori, vou ao banheiro. - disse fazendo uma expressão estranha, como quem tenta sorrir mas esta com dor de barriga.
- Tudo bem, não demore. A fila está bem rápida hoje. - disse Lauren, piscando para a amiga.
Seunome caminhou ao banheiro, sentindo-se mal e perturbada. Entrou no lugar, sentindo um desconforto na barriga e se encaminhou até uma cabine, trancando-a logo em seguida. Com certa rapidez, ficou de joelhos, inclinando-se sobre a patente. Respirou fundo e apertou os olhos. Aquilo era tudo muito exagerado, percebeu ela. Levantou-se alguns minutos depois, saindo da cabine e indo direto para uma pia. Colocou suas duas mão apoiadas na mesma, encarando seu reflexo no espelho.
Escorregou sua mão até sua bolça, e de lá tirou um batom laranja, seu favorito. Contornou seus lábios com ele, aplicando de duas à três camadas. Colocou-o de volta na bolça e seguiu até a saída.
Logo que viu a fila, espantou-se.
A fila estendia-se interminavelmente. Aquilo era mesmo possível? Passou por entre a fila, afastando-se um pouco para ver se conseguia avistar Lauren e Tom, mas estes estavam quase impossíveis de se ver. Resolveu então caminhar ao lado da fila à procura dos dois pombinhos. Caminhou por alguns minutos até achá-los não tão próximos ao lugar onde os havia visto da última vez.
- Rápida o caramba! - murmurou  para si mesma, em contradição do que a amiga havia dito.
Foi aproximando-se dois dois, encolhida, por algum motivo. Enfiando-se cada vez mais entre a fila, continuou a caminhar. Mas, durante este percurso, foi agarrada e puxada. Confusa, deixou-se levar pelo puxão e virou para ver quem a havia agarrado. Sua expressão era de surpresa, ao notar que quem a parara era apenas um garoto ruivo, alto e de expressão severa. Ela nunca o vira na vida, pelo menos era o que pensava.
- Não pode furar a fila. - o garoto disse mantendo a expressão fechada.
- Ah, não se preocupe, se eu ver alguém furando a fila vou avisá-lo, pode ter certeza disso. - disse em tom de deboche, dando uma bruta sacudida no braço, fazendo com que o garoto a soltasse imediatamente.
Virou-se, pronta para continuar a andar, mas a mão do garoto segurou seu pulso novamente, desta vez mais forte, e a puxou.
- Estou falando sério. Você tem que esperar como a gente, simplesmente vá para o final da fila. - disse em tom ameaçador.
- Escuta aqui, eu não estou furando fila! - falou alto.
- Sabe quem eu sou? Vá logo para o final da fila.
- Eu não sei quem é você, e não pretendo saber. Me solta agora se não você vai se arrepender muito, guarde as minhas palavras. - disse quase mais ameaçadora do que o ruivo a sua frente.
Este deixou uma gargalhada escapar por entre os lábios, em seguida parando para lhe dizer friamente:
- Será?
Aquilo foi a gota d'água para Seunome. Nunca ninguém a subestimara, e isso a fazia se sentir forte, algo que era essencial para a sobrevivência de uma garota - no fundo frágil - como ela.
- Vê se você se fode, idiota. - deu uma grande cotovelada na mão do garoto, que não demonstrou dor alguma.
Continuou a andar ainda apressada até os amigos, antes dando uma olhada por cima do ombro do ruivo. Ele lhe deu um sorriso provocante e sensual, algo que deixou Seunome muito irritada. Ao chegar até onde os amigos estavam, percebeu que estes a olhavam com certo espanto.
- O que foi? - perguntou a garota, muito mau-humorada.
- O que foi aquilo lá atrás? - perguntou Lauren assustada.
- Um garoto idiota me acusou de estar furando a fila! E ainda se mostrou indiferente quando eu praticamente disse que ia chutar as bolas dele! - disse totalmente enlouquecida.
Ouviu-se risadinhas histéricas e a voz do garoto ruivo. Seunome virou-se e viu a seguinte cena:
O mesmo garoto ruivo, cercado por três garotas sexys, bonitas e peitudas, rindo histericamente enquanto estas o agradavam com beijos e carinhos no rosto.
- Quem é esse cara? Um galinha de certa. - Seunome respondeu a própria pergunta, indignada.
Tom colocou sua cabeça para fora da fila, olhando indiscretamente para o garoto "galinha" e dizendo logo em seguida:
- Rupert!
- O que? - perguntou uma Seuapelido confusa.
- É Rupert! Rupert Grint! O meu antigo amigo de filmagens! - ele tinha com um brilho enorme dos olhos e um sorriso feliz muitíssimo convincente.- Caramba! Eu preciso ir lá falar com ele!

domingo, 19 de outubro de 2014

I Hate you, but I Love too - Capítulo I

O dia amanheceu ensolarado, mas para Seunome era apenas mais um dia nublado. E assim estava a dias para ela...

Era de costume que, mesmo em um simples sábado, Seunome e Ed inventassem alguma coisa estranha para fazer. Como equilibrar-se em uma mureta de olhos vendados. Essa atividade já trouxe muita desgraça para os dois. Mas agora, com a agenda de um cantor famoso como Ed Sheeran, é raro haver um momento para os dois amigos.

Seunome caminhava sonolenta até a cozinha, na missão de encontrar alguma arma mortal para matar aquela maldita "coisa" que tanto a incomodava. Optou por um simples cereal. Não tinha tempo para fazer nada mais demorado do que simplesmente despejar leite e cereal em uma tigela, afinal, seu programa favorito começaria dentro de 7 minutos.
Aproximou-se da geladeira, abrindo-a em seguida. Procurou pelo leite, achando-o encolhido entre tantas latas de cerveja.
-Ele está precisando maneirar na bebida... - murmurou com a voz rouca, referindo-se a Sheeran.
Colocou a pequena caixa de leite sobre o balcão da cozinha, encaminhando-se para um armário embutido na parede. Abriu o mesmo, retirando de lá seu cereal favorito, logo colocando-o ao lado do leite. Em um armário mais próximo, Seuapelido procurou por sua tigela de cereais favorita, uma com imagens de todos os vilões do Batman. Quando a encontrou, segurou-a com firmeza próxima ao peito. Adora aquela tigela. Esticou seu braço, alcançando o puxador de uma gaveta, abrindo-a. Depois de pegar uma colher, fechou a gaveta.
Levou tudo ao balcão de mármore, pegando a caixa de cereais e abrindo-a. Já estava despejando os cereais coloridos em sua amada tigela quando viu um papel sobre o balcão. Parou instantaneamente. Pegou o mesmo e o leu mentalmente: Desculpa, tive que ir mais cedo. Volto por volta das 7:30 p.m.
-Que maravilha! - falou sarcasticamente - Pelo menos ainda tenho você cereal. - disse pegando a caixa e depositando um beijo na mesma.
-Beijando coisas novamente, Seunome? - perguntou uma voz masculina, vindo da entrada da cozinha.
-Isso não é da sua conta, é Felton? - disse Seunome sem olhar para o garoto.
-Caramba, Ed tem razão. Você precisa mesmo de um namorado. - disse Tom, rindo em seguida.
Seunome virou-se para o garoto, lançando-lhe um olhar mortífero.
-Eu não preciso de um namorado! - falou ofendida.
Tornou a prestar atenção em seus cereais, tendo o leite em mãos, despejou-o em certa quantidade dentro de recipiente, antes que Tom dissesse:
-A Lauren está?
Seunome sorriu.
-A tanto tempo anda com ela e ainda não sabe que os sábados são sagrados? - perguntou Seunome com o cenho franzido.
Tom a olhou confuso.
-Ela está dormindo, Felton! - disse ela logo depois de dar um longo suspiro, chamando o garoto de tapado mentalmente.
-Ah! Bem... Se importa se eu esperar? - perguntou Felton.
-Não. Fique à vontade. - disse a garota dando de ombros.
Encaminhou-se até a sala, sendo seguida pelo loiro Tom. Sentou no sofá, colocando os pés embaixo de si, só então percebeu o quanto estavam gélidos.
-Tom - chamou a garota.
-O que? - perguntou um tanto rápido.
-Será que poderia pegar um par de meias para mim? - pedia projetando seu lábio inferior para frente, formando um "biquinho".
-Não sou seu elfo doméstico, Seunome. - disse fingindo severidade.
-Mas bem que podia ser. Como acha que vai me agradar se quiser ter uma relação mais íntima do que uma simples amizade com Lauren? - dito isso, as bochechas de Tom pareciam dois tomates de tão vermelhos. -Deveria ficar feliz por ter pedido apenas meias. - franziu o cenho.
-Tudo bem - rendeu-se -Não conte isso a ela! - gritou já fora da sala.
-Minha boca é um túmulo! - gritou de volta.
-Onde estão suas meias? Opa, gaveta errada. - disse ao ver calcinhas bem dobradas e sutiãs.
-A segunda! - gritou ao pensar na possibilidade do garoto ter abrido a primeira e visto sua roupas íntimas.
Voltou em poucos segundos, com as bochechas ainda vermelhas. Jogou um par de meias a Seunome, que ligava a TV, distraída.
-Tome cuidado com meu lindo rosto, Felton. - disse com falsa indignação. -Tom...
-O que foi? - perguntou em tom irritado.
-Pegue está almofada para mim? - perguntou indicando uma almofada ao lado do loiro.
-Sem chance. Não sou seu empregado.
Seunome, ainda com o par de meias na mão, enrolou-as, de modo que ficassem menos leves e jogou-as em Tom.
-Você me presenteou com meias! Sou um elfo livre! - disse encorporando Dobby de maneira um exagerada ao ajoelha-se com uma das mãos no peito e a outra no ar, segurando as meias.
-Cale a boca e me dê a almofada! - exigiu Seunome ainda mais séria.
-Tudo bem... - obedeceu-a.
Já no Cartoon Network, fez-se ouvida a música de abertura, e Seunome explodiu de alegria, cantando o mais alto que conseguia:
-...no mundo de Jake e seu amigo, Finn. Diversão é aqui. Hora de aventura!!
-Caramba Harrison. Quer que meus tímpanos expludam? - disse ele com as mãos cobrindo as orelhas.
-Esse não era o meu objetivo. Mas se seus tímpanos estão estourando, fico muito feliz por você. - piscou para o garoto, que estirou-lhe a língua.
-...que diabos...? - murmurou uma voz um tanto rouco vindo do outro lado da sala.
Tom e Seunome voltaram-se para a figura de cabelo espetado e loiro que era Lauren. O pijama rosa de bolinhas todo amassado e o rosto mais pálido. A garota parou ao ver Tom e, de boca completamente escancarada, correu de volta para o quarto.
Seunome não pode conter uma risada.
Tom, sem reação, olhou para Seunome. Como se esperasse alguma coisa vindo desta. Ela apenas balançou a cabeça - ainda rindo - e caminhou feliz até o quarto de Lauren. Encontrou a garota junto ao espelho, encarando seu reflexo chocada. A boca ainda escancarada e os olhos arregalados, como se acabasse de ver um fantasma.
-Incrível como você consegue transformar os dias mais tediosos em dias mais divertidos. - disse em pequenas pausas para recuperar o fôlego.
-Ah, cale a boca Seunome! Isso não foi nada legal! Se fosse com alguém que você gostasse muito você não estaria rindo! - disse a garota um tanto irritada.
Seunome fechou a cara na hora.
-Claro que não. Porque eu não "gosto" de ninguém. Não daquele jeito.
-O que eu vou fazer? - Lauren perguntou desesperada.
-Não seja dramática! Apenas se vista e finja que nada aconteceu. - falou como se fosse óbvio - O Felton nem estava prestando atenção!
-Não estava? - perguntou com um brilho esperançoso nos olhos.
-Já disse que não. Anda, vai colocar uma roupa decente! - disse Seunome por fim, saindo do quarto.
Chegando até o sofá onde estava, jogou-se, já não se sentindo tão alegre quanto antes. Direcionou o seu olhar ao programa, ficando em silêncio por alguns instantes. Mas o quebrou algum tempo depois:
-Por que veio tão cedo Felton? - perguntou interessada, sem tirar os olhos do desenho.
-Ah, nada demais. Apenas queria convidar a Lauren para ir ao cinema. - explicou.
-Que ótimo. Vou ficar sozinha de novo. - disse em um tom sombrio.
-Bom... Você pode ir se quiser...
-Sem chance, Felton - interrompeu-o - Não vou segurar vela! - prosseguiu.
Tom voltou a ficar vermelho.
-Não se preocupe. Por enquanto somos apensa amigos - disse em um tom quase inaudível.
-"Por enquanto", hein? - sorriu Seunome, maliciosamente.
-Pare com isso Harrison, está me deixando sem graça! - disse ele tentando esconder o rosto com as mãos.
-Que bom, era tudo o que eu queria. - sorriu Seunome, orgulhosa.
-Você é uma pessoa muito má. - disse Tom fingindo indignação.
Seunome balançou os cabelos, mostrando todo o seu orgulho e piscou para Tom, que riu.
Três episódios de Hora de Aventura já haviam passado quando Lauren finalmente foi receber Tom, que sorriu de maneira boba.
-Vim te convidar para ir ao cinema. Quer ir? - perguntou ainda sorrindo.
-Claro! Hoje? - perguntou corada.
Tom assentiu.
Os dois combinaram o necessário para que se encontrassem no local e horário correto, enquanto Seunome continuava olhando atentamente para a TV, assistindo a outro programa. Sua risada fez com que Tom e Lauren voltassem-se para a garota.
-Ah, Tom... me esqueci completamente de Seuapelido. Ela vai ficar sozinha outra vez... não quero isso pra ela. - disse ela com o olhar triste.
-Tudo bem, ela pode vir conosco. Mas ela disse que não quer. - explicou.
-Seunome, - chamou a garota, que virou rapidamente - Quer ir ao cinema comigo e com o Tom?
-Você não vão se pegar, vão? Por que se for o caso eu pego um lugar bem longe de vocês dois. - disse Seunome, tentando se manter séria.
Os dois se entreolharam nervosos, em seguida desviaram os olhos. O silêncio que permaneceu por alguns instantes foi quebrado pela voz trêmula de Lauren:
-N-não se preocupe. Não vamos fazer nada disso.
-Ótimo. Sendo assim, eu vou ao cinema com vocês. - Seunome sorriu contente para os dois pimentões a sua frente, que forçaram um sorriso, embora estivessem bravos com o o que a garota acabara de dizer.