domingo, 30 de novembro de 2014

Capitulo II: A primeira impressão.

Loucos e Indesejáveis

Capitulo II: A primeira impressão.


Era uma manhã comum como todas as outras. Uma manhã de terça-feira. Seunome gostaria de ter acordado de uma forma corriqueira, mas sua maneira não foi a melhor de todas. Acordou ao ouvir seu celular tocar e em um disparo acabou pegando-o e tacando pela janela.
- Droga mais um. - Seunome murmurou após realmente acordar.
Sentiu o gosto que se passava em sua boca, era gosto de sono e iogurte. Por que tomou aquele iogurte antes de dormir?
Se levantou e andou descalça até seu banheiro, no caminho sentiu algo cutucar seu pé seguido de uma dor latejante, mínima, mas incomoda. Ao passar a mão nele sentiu algo pontudo e puxou. Era um dos caquinhos do espelho que ela havia quebrado “acidentalmente”. Um pouco de sangue saiu do corte, nada com que tivesse que se preocupar.
Ela se despiu e após isso se arrepiou ao sentir o vento frio da manhã entrar pela sua janela.
Entrou na banheira e tomou um banho rápido. Após se arrumar, sem ter o auxílio do espelho, já que fora proibida, ela desceu as escadas.
No caminho até a cozinha viu seu antigo piano tampado por um pano, aquele piano lhe trazia más lembranças.
Ao chegar a cozinha notou como os empregados estavam agitados, porém apenas pegou sua tigela e colou seu cereal e leite, ignorando todo o café recém-preparado para ela, ela odiava comer coisas requentadas.
Após isso se sentou e os viu andar para lá e para cá com bandejas e produtos de limpeza.
- Sarah, o que esta acontecendo? - Seunome perguntou com a boca cheia.
- Você não me escuta mesmo, né criatura?! Seu irmão Darwin tá voltando da Inglaterra. - Sarah respondeu, impaciente.
- Ah. - Seunome disse sem emoção.
Por um tempo observou Sarah, ela era uma mulher magra. Sua pele era branca e tinha olhos castanhos. Não era muito alta e nem muito nova. Mantinha sempre no rosto uma expressão de seriedade.
- Aliás, seu psicólogo ligou. Hoje é dia de seção e é para você ir na delegacia também. - Sarah disse tirando Seunome de seus devaneios.
- Ok, parece que eu vou ver o delegado, DE NOVO! - Seunome respondeu sínica.
- Se controle desta vez, não pode mas ir para a prisão, lembra? - Sarah disse repreendendo Seunome.
-Para deixar claro, da última vez não foi culpa minha. - Seunome disse com um sorriso irônico.
- Não, claro que não. Aquele álcool e os fósforos saíram andando do supermercado sozinhos porque estavam cansados de ficar nas prateleiras e depois resolveram que seu bolso era um lugar divertido para se ficar. - Sarah disse com o mesmo sorriso que ela.
- É obvio que foi isso, por que eu roubaria álcool e fósforos? - Seunome disse tentando parecer curiosa.
- Não sei, me diga você sua delinquente juvenil. - Sarah disse e então saiu da cozinha.
Seunome revirou os olhos e terminou de comer seu cereal. Notara que naquela manhã havia falado muito mais do que estava acostumada, mas isso quase sempre acontecia quando ela falava com Sarah. Era divertido desafiá-la.
Após isso se levantou e chamou Charlie para que pudesse partir. Charlie era seu chofer, mas ela odiava que fizessem coisas por ela então resolveu que iriam de metrô.
- Esta pensando que vai aonde sozi... - Sarah começou a dizer mas se alto-interrompeu e depois disse – Ah, esta levando Charlie. Vai de carro?
- Não. - Ela respondeu seca e se foi.
Desde que havia saído do hospício, Seunome estava proibida de sair na rua sozinha, sempre deveria levar alguém, mesmo que já fosse maior de idade.
No caminho o silêncio os acompanhou. Seunome pensava em como seria a vida dela depois daquele dia. Não porque fosse lhe acontecer algo de interessante mas sim porque ela sabia, a cada novo dia estamos sujeitos a mudanças e surpresas, em um único dia sua vida pode mudar por inteiro.
Ao chegar na delegacia, Seunome sorriu. Só havia mais uma pessoa no mundo que ela gostava de desafiar e esta pessoa estava dentro da delegacia. Ao passar pela porta pode ouvir uma discussão vindo mais de dentro.
- Delegado, eu já disse, eu não fiz nada de errado. - Seunome ouviu uma voz masculina dizer.
Ela se posicionou atrás dá porta para que pudesse escutar a discussão e fez um sinal para que Charlie ficasse calado.
- Não, não. Apenas estacionou em local proibido. DE NOVO! - delegado Harris disse irônico.
- Ah, pelo amor de Deus, eu só estacionei em local proibido. Me de uma multa, mas não tire meu carro nem não me prenda. - o autor da voz masculina respondeu, estressado.
- Não vou, se você pagar sua fiança, é claro. Esta já é a décima multa que recebe e ainda não pagou nenhuma.
- E quanto tenho que pagar?
- 2 mil dólares.
- 2 o que?
- É isso ou cadeia, ou se preferir serviço, comunitário. Junto com os delinquentes juvenis.
- Delinquentes juvenis como eu senhor delegado? - Seunome disse agora, saindo de trás da porta e interrompendo a discussão.
- Estava ouvindo a conversa Senhorita Allen? - o delegado Harris disse arqueando a sobrancelha.
- Não responda minha pergunta com outra pergunta. - Seunome retrucou enquanto mexia nos pertences de um dos oficiais.
- Esta bem Senhorita Allen, mas pare de mexer na mesa do oficial Carter.
- Como quiser amor. - Seunome disse irônica e mandou um beijo e uma piscadinha ao delegado.
- Pare com isso vadia, sou casado. Ele disse levantando sua mão e mostrando sua aliança.
- Ei, eu ainda estou aqui. O rapaz que até então estava calado disse com uma cara confusa.
- Eu sei, por que não foi embora ainda? - Delegado Harris perguntou.
- Porque ainda não resolvemos isso.
Então delgado Harris e o rapaz desconhecido por Seunome começaram novamente uma discussão, a qual ela já sabia o resultado. Enquanto discutiam, Seunome observava o garoto. Como ele desafiava o oficial da lei aparentemente sem medo mas ela podia sentir, ele estava com medo.
Seunome possuía um tipo de sexto sentido, sempre sabia quando as pessoas estavam ou não com medo, por este mesmo motivo ficava extremamente irritada quando não admitiam ter medo dela. Era sempre assim, ou as pessoas teriam medo dela e não admitiriam ou usariam esse medo e a tratariam como lixo.
A certa altura ela estava cansada daquela discussão, se levantou e foi até eles e então disse:
- Rapazes, acho que já chega por hoje. Escuta moço - Ela chamou o rapaz desconhecido e continuou - Vá ao banco saque o dinheiro ou faça serviço comunitário, não é tão ruim assim. - Seunome fez uma pausa olhou para o delegado Harris, então disse - E você não tem que discutir com ele. É delegado.
- Ela tem razão, decida-se Senhor Hutcherson. Delegado Harris disse.
- Tá bem, eu vou pagar essa droga. Mas espere eu ir no banco.
- Vá logo.
Assim o rapaz saiu e ficaram Seunome, o delegado Harris, Charlie e o oficial Carter. Seunome esperou calada enquanto o delegado mexia em uma das gavetas de sua mesa. Ela começara a ficar sem paciência a essa altura. Ah, como ela queria um bolo, ou quem sabe seu namorado.
- Bem, aqui está. - o delegado disse lhe entregando um papel.
Ela apenas observou o papel e piscou algumas vezes em resposta.
- Isto minha cara é a carta que declara que este é seu ultimo dia de serviço comunitário.
- Esta falando sério? - Seunome disse um tanto surpresa.
- É claro que estou, parece que estou brincando?
- Com essa sua cara gorda e esse bigode branco me faz lembrar o papai Noel, então sim, sempre parece que esta brincando. - respondeu ironicamente.
- Cale a boca, sua inútil. Delegado Harris respondeu bravo e depois continuou - Bem, você só tem mais hoje e depois finalmente vou me ver livre de você.
- Considere como seu dia de sorte. - Seunome respondeu séria.
- Eu só te peço um favor...: não arrume encrenca. Não quero ver você aqui de novo.
Seunome respirou fundo, segurou-se, então caminhou para mais perto dele e lhe disse seriamente:
- Delegado Harris, depois de me conhecer a tanto tempo deveria saber que o único favor que eu faço a seres humanos como o senhor é dividir meu oxigênio.
Por um minuto o homem a sua frente ficou pálido. Seunome sorriu vitoriosa, andou até um banco que havia na delegacia e esperou que os papéis fossem assinados.
Depois de certo tempo tudo estava pronto. Seunome naquele dia teria de limpar o parque. Nada de especial. Foram seis meses, de serviço comunitário, 8 horas por dia. Todo santo dia. Hoje era o último deles, mas Seunome não se sentia feliz ou animada por isso, aquilo não fazia a mínima diferença na sua vida. Já havia limpado muitos parques, pichações. Havia ido a creches, servido sopa, ido a igrejas e asilos. Mas nada daquilo a afetava, nem de forma boa ou ruim.
Seunome laçou um último olhar gélido ao delegado Harris e caminhou até o carro da polícia, onde o oficial Carter a levaria para seu destino.
Chegando lá avistou uma mulher vestida com o uniforme da polícia, e um cara excêntrico algemado ao lado dela. Quando se cumprimentaram a mulher soltou o homem excêntrico.
- Ruivinha cuide do lado norte do parque e você, maluco, cuide do lado sul. - a mulher uniformizada disse sem hesitação.
Seunome apenas pegou seu equipamento de limpeza e foi-se. Seu equipamento era composto por um colete, um saco de plástico e um tipo de bastão com um ferro afiado na ponta, usado para espetar o lixo. Ela não sabia o nome daquilo.
Por horas ela simplesmente ficou a limpar calada, e começou a sentir uma fome imensa a certo ponto, mas teria que limpar aquele parque primeiro. De repente ouviu uma voz masculina dizer:
- Você conhece o delegado Harris?
Quando se virou era o homem excêntrico. Seunome apenas acenou com a cabeça como resposta.
- Ele é bonito, não?! - o mesmo homem comento.
- Acho que sim, depende muito do gosto. - respondeu estranhando a pergunta.
- Está dizendo que ele não é bonito?
- Claro que não, ele é o cara mais delícia que eu já conheci. - Seunome disse sarcástica.
- Não fala assim do meu homem. - o excêntrico retrucou.
- Seu homem? Uau, boa sorte para você então, “querida”, pois ele já é casado.
- NÃO É, NÃO! - O homem a sua frente gritou e então deu um tapa no rosto de Seunome.
Agora ela havia entendido, provavelmente o cidadão a sua frente tinha algum problema mental, assim como ela. Mas por algum motivo sua raiva começou a lhe subir, mas era o último dia ela tinha de se acalmar.
- Ok. Ele é seu, fique com ele e volte ao trabalho. - disse, tentando se conter.
Seunome se virou e começou a andar, de repente sentiu um empurrão e caiu de cara no chão.
- Você esta com o cheiro dele, sua vadia. Andou pegando ele, não foi? - o homem disse de novo.
Seunome se virou - ainda tentando conter sua raiva -, levantou e caminhou até o homem, se preparou para dizer alguma coisa, porém foi interrompida. Sentiu uma enorme fincada no pé, o que lhe proporcionou muita dor e teve vontade de gritar, mas o homem a sua frente tampou-lhe a boca, ao olhar para o próprio pé percebera que o cara a sua frente havia espetado seu utensílio de limpeza no pé dela. O sangue escorria e ela sentia dor. A vontade de gritar foi ainda maior, mas não ousou soltar um ruído. Tudo que fez foi arrancar do seu pé o instrumento afiado e dizer:
- Já que você quer brigar meu rapaz, vamos brigar.
Após isso colocou em seu rosto um enorme sorriso, levantou o instrumento afiado em direção ao cidadão e começou a caminhar lentamente atrás dele. Este mesmo passou a gritar e em certo momento se escondeu.
Era o fim. Ela havia perdido seu controle e paciência. De alguma forma ela tentou se controlar, mas era tarde de mais para isso, tudo que ela pensava naquele momento era em ver aquela coisa enfiada no pescoço do louco.
- Onde você está? Por que está com medo de mim? Eu só quero conversar com você. - Seunome disse, procurando pelo homem em meio as poucas árvores do parque.
De repente ouviu um grito se virou e viu que alguém havia pulado em cima dela, dando-lhe alguns golpes. Seunome começara a revidar, mas em um deslize o agressor colocou suas mãos em volta do pescoço dela e começou a sufocá-la.
Ela tentou gritar.
Tentou revidar.
Mas não conseguia.
Ao contrário do que muitas pessoas dizem, ela não viu sua vida inteira passar diante dos seus olhos, só viu uma cena. Em poucos minutos sentiu que não lhe restava mais ar. Sentiu tontura, e então em um piscar de olhos tudo acabou.
~* ~* ~ *~ *~
 Flashback mode on :
Coloquei meu melhor vestido. Era a primeira vez que tocaria para minha mãe depois de muitas aulas de piano. Cinco aulas para ser mais exata, mas já havia aprendido muitas coisas.
Era um vestido rodado, com mangas curtas, dessas meio cheinhas. Era amarelo. Amarelo sempre fora minha cor favorita, me lembrava a o Sol, e este me lembrava que sempre haveria um novo dia, talvez melhor ou talvez não.
Sarah olhou para mim com um grande sorriso e disse:
- Esta linda, minha bonequinha.
- Estou mesmo?  - perguntei, um tanto preocupada.
- Se estivesse mais seria perigoso.
Sorri em resposta, e olhei para meus cabelos. Agora eram tranças, duas tranças.
- Acha que vou conseguir tocar direito? - perguntei ainda preocupada.
- Claro que vai, querida. - passou a mão em uma das minhas tranças - Você treinou muito para isso; acho que está preparada. E além disso, sua mãe veio mais cedo hoje só para lhe ouvir tocar.
- Eu sei. - respondi quase que em um sussurro.
Sarah terminou de me arrumar e saiu do quarto, me mandou esperar. Caminhei até a janela e avistei uma casa amarela, por coincidência , senti um enorme vazio ao observá-la. De quem era aquela casa?
- Queria que você estivesse aqui. - sussurrei.
Minutos depois eu não estava mais no meu quarto, onde estava? Ah sim, era a sala onde ficava o piano. Caminhei até o piano e lá estava minha mãe, sentada na poltrona ao lado do mesmo.
- Bonne journée Mlle. Eu disse a minha mãe, que apenas respondeu com um aceno, depois continuei - Hoje vou tocar uma música especial para você.
A música que tocaria para ela eu havia ouvido em um filme, “A noiva Cadáver”, aprendi a tocá-la e queria muito tocá-la para minha mãe.
Me sentei e comecei a tocar. Por um tempo até me diverti com a música, e ela me envolvia, podia senti-la. Mas depois de um tempo notei que minha mãe estava chorando.
Chorando sozinha.
Calada em seu canto.
Parei de tocar e caminhei até ela, me ajoelhei e disse:
- Mamãe, tá tudo bem?
- Sim... Volte a tocar, querida. - disse em meio as lágrimas.
- Você não quer...
- Já disse que estou bem, volte a tocar Seunome. - ela respondeu um pouco enfurecida.
Voltei ao piano, mas não consegui me concentrar novamente. Apenas fiquei sentada, esperando ela parar de chorar. De repente senti alguma coisa bater na minha cabeça.
- Eu falei para voltar a tocar. AGORA! - minha mãe disse, olhei para o chão e vi que um de seus sapatos estava lá.
Ela havia jogado o sapato em mim.
Voltei a tocar imediatamente, mas por que ela estava chorando?
Eu não sabia, mas não queria vê-la assim.
Flashback mode off.
Seunome acordou suada. Era tudo um sonho. Mas não era apenas um sonho, era uma lembrança em forma de sonho. Olhou a sua volta e notou que estava em seu quarto, mas não se lembrava de como fora parar lá.
Sentiu que seu pé estava doendo, e resolveu olhar. Lá estava ele, todo enfaixado. Então ela se lembrou da briga e tirou suas próprias conclusões sobre o resultado.
- Maldito. - Seunome sussurrou para si mesma.
Sentiu um cheiro bom caminhar até seu quarto, parecia o cheiro do bolo de biscoitos de Sarah. Ouviu seu estômago roncar, não havia comido ainda. Olhou no relógio e eram cerca de 4:27 da tarde, ela havia ficado bastante tempo inconsciente.
Se levantou com muita dificuldade da cama e caminhou para fora do quarto. Ouviu algumas vozes vindo lá de baixo e resolveu descer, mas a escada seria um desafio. Com apenas um pé  seria difícil, mas ela tinha que conseguir. Estava com fome e havia bolo na casa. Ela tinha que conseguir.
Desceu cada degrau com muita dificuldade e, ao final da descida, sentiu seu pé latejar. Caminhou até a sala de visitas, de onde vinham as vozes. Estacionou na porta e esperou que notassem sua presença, o que não demorou muito.
Na sala estavam seu psicólogo, um rapaz que ela não sabia quem era, delegado Harris e o “Maldito”. Sarah aparecera minutos depois com uma bandeja na mão.
- Finalmente acordou. - Senhor Lee - o psicólogo - disse.
Todos olharam em direção a porta. Seunome não manifestou nenhuma emoção ou reação, apenas esperou.
- Sente-se aqui, Seunome, precisamos conversar. - Sarah disse apontando-lhe uma cadeira.
Seunome caminhou até a cadeira, calada, sentou-se e esperou. Sarah lhe serviu chá e então a “reunião” começou.
- Senhorita Allen, se lembra do que aconteceu?  - O delegado interrogou-a, mantendo o tom de voz calmo.
- Sim. - Ela respondeu rapidamente.
- E o que aconteceu? - Sarah perguntou curiosa.
- Eu nasci. - Seunome respondeu sarcasticamente, embora parecesse séria.
- Fale sério criatura, isso não é nenhuma brincadeira. - Sarah falou, brava.
- Sei que não é, se fosse estaria me divertindo. - Seunome retrucou, secamente.
- Pode por favor dizer do que se lembra? - Senhor Lee perguntou, calmamente, assim como o delegado.
Seunome acenou com a cabeça e contou os fatos de maneira resumida. Depois de um tempo todos pareciam chacoalhar a cabeça e então o delegado disse:
- Está bem, desta você se livrou. Sua história bate com a desse cara - Delegado disse apontando para o desconhecido - E bate mais ou menos com a desse. Sabe, se não fosse pelo Josh, você estaria morta. Não pode mexer com quem tem transtorno de bipolaridade. - Delegado Harris completou.
- Ok. Obrigado, Josh. E... delegado; se eu não posso mexer com pessoas com transtorno de bipolaridade, por que estas pessoas tem o direito de mexer comigo? - Seunome perguntou intrigada.
Com essa pergunta o rapaz desconhecido esboçou um leve sorriso no rosto, discretamente.
- Não tem, mas ninguém se importa se elas mexem com você, querida. Bom, de qualquer jeito, ele não vai fazer queixa contra você e você não fará contra ele. - bateu uma mão contra outra, como se isso desse o fim no problema e disse: - vou embora e espero que não tenha que te ver mais, Senhorita Allen. Seu serviço acabou.
Seunome apenas ficou em silêncio. Assim, o delagado Harris e o “Maldito” partiram, sem mais nem menos. Mas o tempo todo Seunome pensava "para que estão aqui?"
- Bem, Seunome, espero que esteja satisfeita. Tem um furo enorme no pé agora. - Sarah disse, ainda brava.
- Claro que estou, adoro cicatrizes. Sinto como se tivesse estado em uma guerra. - Seunome disse se esticando para alcançar o bule de chá.
- Olha, quer saber?! Vou fazer bolo. Cavalheiros, fiquem à vontade. - Sarah disse enquanto se retirava do ambiente.
Por um tempo tomaram chá em silêncio até o senhor Lee dizer:
- Seunome, vim aqui para fazer a seção de terapia por aqui mesmo, mas antes eu gostaria de saber se posso ir no banco e voltar daqui a pouco.
- Ninguém está te segurando. - Seunome respondeu com naturalidade.
O homem acenou com a cabeça, levantou-se e se foi, Ficando assim Seunome e o desconhecido na sala. Ele parecia um garotinho assustado, Seunome gostava disso.
- Te conheço? - Seunome perguntou.
- Sou o cara da delegacia. - Ele respondeu rapidamente.
- Ah, sim. - ela disse já recordando-se do rapaz. Depois prosseguiu - Como me salvou?
- Bem, não diria "salvar", eu apenas estava por perto. Vi ele te estrangulando e tirei ele de cima de você.
- Se isso não é salvar então não sei o que é. Mas seria bom demais para sociedade se me deixa-se morrer. Eles não merecem isso, então, obrigada.
- Acho que não. Você não deve ser um fardo total para as pessoas.
- Na verdade sou, sim. Me dizem isso o tempo todo.
- Só porque dizem não quer dizer que seja verdade. - Josh rebateu, dando mais uma golada no chá, fazendo com que Seunome tivesse a famosa sensação de dejavú.
- Acho que começamos errado. Meu nome é Seunome Allen e o seu é...?
- Josh. Josh Hutcherson.
- Interessante.

Depois de tal comentário, um silêncio constrangedor voltou a aparecer no ambiente. Ela o conhecia de algum lugar. Mas de onde?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

coment please!!!